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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Olha que coisa mais tchuchuca

Gentem, olha que coisa mais tchuca que uma leitora mandou! Um texto pra publicar no blog! Adorei :D

O poema é da Jemima Pompeu, que tem o blog Vizinhos de Útero, leiam lá também! Ela me disse que está desempregada há 4 anos já :( Espero que consiga um emprego daquió com as minhas dicas!

Despropósito*

O desemprego destrói a nossa integridade
Ficamos íntimos do desamparo e caímos num desgosto inevitável
Nossa autoestima despenca e desencantamos completamente
Descobrimos a dor da forma mais aguda, nos sentimos descartáveis
Ficamos até deselegantes, desnudos 
A humilhação chega a ser desumana e, por isso, o desânimo entra em nossa corrente sanguínea
A destruição interna é lenta e dolorosa
Desfazemos nossos planos e descremos dos nossos sonhos
Nossos desígnios são oprimidos
Há muitos despreocupados com o fato
O descaso é geral
As desculpas são irônicas e cínicas
Sentimos na pele o significado da palavra desclassificado 
Os mais desavisados nos tratam como desocupados
Os descuidados ignoram
Os desconfiados julgam 
Os destemidos acham que nunca passarão por isso 
Somos despreparados para enfrentar esse desafio 
Sem desenvolvimento, o ser humano entra em desequilíbrio 
Sem dignidade, o cidadão honesto se desespera 
Sem comida, ficamos desnutridos 
Sem a compaixão sincera, nos sentimos desprotegidos 
Sem perspectiva, ficamos despedaçados 
Sem esperança, desistimos, nos descuidamos 
Diante da exaustão descomunal, da situação desoladora e destoante
só nos resta “descansar” enquanto o mercado de trabalho nos trata com total desprezo.

*Jemima Pompeu

1 comentários:

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